Além da banana e da maçã

Além da banana e da maçã: que tal diversificar seu cardápio de frutas? Confira algumas opções nutritivas, diferentes e curiosas, que vão muito além das clássicas e tradicionais bananas e maçãs.

Vamos saborear uma abiu? Ou que tal uma atemoia, chirimoya, granadilha, longan, physalis e rambutão? Se ainda não estiver satisfeito, aprecie a pitomba, nêspera-japonesa, pitaia, maná, ou até mesmo a lichia. E aí, consegue identificar todas as frutas citadas? Se a resposta for sim, parabéns! Provavelmente, você é um apreciador de frutas e se interessa demais por elas, consumindo-as, no mínimo, em três porções diárias, seguindo as orientações da OMS – Organização Mundial da Saúde. Se a resposta for não, fique atento(a) ao que a ACM tem a lhe mostrar mais adiante nesta reportagem.

“Muitas dessas frutas apresentam uma aparência que causa curiosidade, seja pelas cores vivas, formato e/ou aroma, que leva as pessoas a conhecerem seu valor nutricional e sabor”, informa a nutricionista Madalena Vallinoti, apontando também um dos fatores que impulsiona a população a buscar por variedade. “Aos poucos, elas serão mais populares nas mesas dos brasileiros”, prevê a profissional.

Um dos entraves que dificultam a popularização de frutas exóticas, como a  noni e a sapoti, no Brasil, é o custo elevado dessas maravilhas. “Considerando-se ainda que são raras e algumas importadas, seu custo não permite à maioria da população ter acesso”, comenta Madalena. A noni, por exemplo, chega a custar, em média, R$ 59,00 o quilo, ao passo que a sapoti, R$ 39,00, e a granadilha, conhecida também como maracujá da Colômbia, R$ 65,00 uma caixa com 16 unidades.

Para o botânico Gil Felippe, autor do livro “Frutos, sabor à primeira dentada”, editora Senac, há outra explicação além do preço para a não popularização das frutas citadas. “O povo brasileiro é sempre conservador e, por isso, as frutas clássicas [banana e maçã] são mais apreciadas”, afirma. Em contrapartida, Felippe percebe o aumento do consumo daquelas que saem do tradicional. “Em centros urbanos, o consumo [das frutas exóticas] já aumentou, como em São Paulo e Rio de Janeiro. A pitaia, por exemplo, é muito consumida hoje em dia”, declara.

FRUTAS PARA O SEU TREINO

Entre as indicações de frutas diferentes e curiosas ao paladar mais recomendadas para quem pratica atividades físicas, estão aquelas que contêm um maior teor de carboidratos, potássio e mais água em sua composição, tais como: cajá-manga; granadilha; noni; rambutão; nêspera-japonesa; buriti-miriti (considerada uma das maiores fontes de vitamina A); kino (kiwano), que estimula os receptores de insulina e previne o diabetes tipo II, além de ser ideal para matar a fome pós-treino; lichia, um potente antioxidante que evita o envelhecimento precoce, melhora as defesas do organismo às infecções e é rica em potássio, mineral importante para quem pratica atividades físicas; tâmara, que é composta por hidratos de carbono simples e complexos, importantes quando é necessário manter um ritmo intenso de esforço físico ou mental por um período longo de tempo; e, por fim, a pera asiática, que se parece com a maçã em forma e textura, mas com o sabor doce e azedo das peras.

Segundo a nutricionista, independentemente de serem exóticas ou mais próximas ao paladar do brasileiro, quaisquer frutas são fontes de água e fibras, que auxiliam na saciedade e melhoram o trânsito intestinal; possuem baixo valor calórico e quantidade de de gorduras; são ricas em vitaminas, minerais, substâncias bioativas e antioxidantes, que atuam na melhora das defesas do organismo e na manutenção da saúde, e, quando compradas em sua época de safra, trazem baixo custo e um valor nutricional superior. Inclusive, em substituição às sobremesas, elas podem diminuir a vontade de comer doces e a de tomar líquidos durante as refeições, orienta Madalena.

A profissional explica ainda que, por pertencerem ao grupo dos alimentos reguladores, as frutas trazem em sua composição os nutrientes que auxiliam na regulação das atividades metabólicas do nosso organismo. Apesar disso, de acordo com a Pirâmide Alimentar Adaptada à População Brasileira – um guia com o propósito de contribuir para a orientação de práticas alimentares, embasado nas recomendações da OMS – devemos consumir entre três e cinco porções de frutas, diariamente, que correspondem a quantidades aquém do que é consumido hoje, pela população, reconhece a nutricionista.

Como exemplo, uma porção de fruta seria o equivalente a meio mamão papaia pequeno; uma maçã, uma pera e uma laranja médias; e um cacho de uva médio ou 10 bagos. O que raramente é uma realidade na mesa dos brasileiros, segundo a percepção da profissional entrevistada.

Ao ser questionada sobre se há alguma contraindicação às frutas exóticas que recheiam esta matéria, Madalena Vallinoti afirma que não, no entanto, recomenda atenção e consideração à sensibilidade de cada um nas primeiras vezes em que for consumi-las.

MERCADÃO MUNICIPAL

Um bom lugar para encontrar as tais frutas exóticas é o Mercadão Municipal de São Paulo. É lá que a maioria das pessoas tem o primeiro contato com a variedade de frutas. “As pessoas vêm para cá à procura das frutas tradicionais e acabam conhecendo as exóticas. Aí experimentam, gostam do sabor e as compram”, comenta Ailton Pereira da Cruz, dono da Banca do Juca, no Mercadão.“A atemoia, por exemplo, é uma fruta bem saborosa, doce, com um gosto que lembra o sabor de leite condensado. É muito diferente e vale a pena experimentá-la”, indica Cruz, com a lábia de um bom vendedor.

 

Fonte: Revista InformACM – ano 11 – nº 41 – 2013 – p.4